Momento em que os PMs executaram os dois suspeitos com dezenas de tiros (Reprodução)

No dia 9 de junho, na região de Santo Amaro, na Capital, dois jovens negros foram executados em um carro que seria roubado. Mesmo sem aparentar nenhuma reação após serem perseguidos e baterem o carro em um poste, Felipe Barbosa da Silva (23) e Vinícius Alves Procópio (19) foram baleados dezenas de vezes dentro do próprio carro. A cena foi filmada anonimamente e o vídeo contradiz a versão dos policiais que atenderam a ocorrência, que alegavam reação armada das vítimas.

Nesta quinta-feira (17) foi revelado na imprensa que um dos jovens, Felipe Barbosa ligou pouco antes de morrer para sua esposa, afirmando que seria morto pelos policiais. No dia da ocorrência parentes dos dois mortos foram ao local do fato, mas policiais impediram que se aproximassem.

O advogado Ariel de Castro Neves, especialista em segurança pública e direitos humanos, e que acompanha o caso, em entrevista ao portal UOL, disse que “os jovens foram fuzilados, e o papel dos PMs nesse caso deveria ser de abordá-los e prendê-los, e não executá-los sumariamente e à queima-roupa. Não existe pena de morte na legislação brasileira”, afirmou.

Os Policiais Militares envolvidos na ação que resultou na morte dos jovens, que segundo relatos não tinham antecedentes criminais, são o sargento André Chaves da Silva e o soldado Danilton Silveira da Silva, que efetuaram os disparos, e o motorista da viatura.

Ainda segundo a reportagem, o Ministério Público do Estado de São Paulo designou o promotor Thomas Mohyico Yabiki para acompanhar o caso. Numa nota oficial o MPSP afirma que os jovens “eram suspeitos de assalto e não dispararam, mas foram encontrados mortos com mais de 50 perfurações de projéteis”.

O ouvidor da Polícia, o advogado Elizeu Soares Lopes, em entrevista ao portal G1, falou sobre o vídeo das execuções, que circulou pelas redes sociais. “Pelas imagens há suspeita de execução e isso tem que ser apurado. Não há justificativa plausível para aquele desfecho com tiros pelos policiais; a meu ver, pelas imagens, teve ilegalidade”, afirmou. A Ouvidoria acompanha o caso.

A polícia tem declarado que os jovens não teriam recebido 50 tiros, como noticiado, mas que alguns dos furos nos corpos seriam de “entrada e saída” de projéteis. De todo modo, não há indícios de tiroteio, e o uso da força para contenção foi ultrapassado demasiadamente, com indícios de execução sumária, como comentado por Ariel Castro.

Para o presidente do Sindicato dos Advogados, Fábio Gaspar, “o caso é muito grave e deve ser apurado e os responsáveis punidos na forma da lei”. Para ele, “a letalidade policial não reduz a criminalidade, só a amenta”. O caso é apurado, além do acompanhamento dos órgãos de controle, pelo DHPP da Polícia Civil e pela Corregedoria da PM. O Juiz Ronaldo João Roth, do Tribunal da Justiça Militar determinou a prisão preventiva dos policiais.

Os três policiais envolvidos na ocorrência foram presos e aguardam o andamento do processo detidos no Presídio da Polícia Militar Romão Gomes.

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(Comunicação SASP, com informações da Imprensa)