V Prêmio Penha Guimarães celebra trajetórias de luta pela igualdade racial em São Paulo

por | ago 10, 2026 | Notícias

O Sindicato das Advogadas e Advogados do Estado de São Paulo (SASP) realizou, na última sexta-feira (7), no Auditório Prestes Maia, da Câmara Municipal de São Paulo, a quinta edição do Prêmio Penha Guimarães – Em Defesa da Igualdade Racial. A cerimônia reuniu advogadas e advogados, representantes da sociedade civil, integrantes de movimentos sociais, entidades e organizações comprometidas com a promoção da igualdade racial e com a defesa dos direitos da população negra.

Em 2026, o Prêmio homenageou José Adão de Oliveira, educador social, escritor e ativista do Movimento Negro Unificado (MNU), reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos da população negra e pela promoção da educação antirracista; Maria Aparecida da Silva Bento, doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), conselheira e cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), cuja trajetória acadêmica e profissional é marcada pela produção de conhecimento e pela atuação no enfrentamento ao racismo e às desigualdades; o Bloco Afro Ilú Obá De Min, associação paulistana sem fins lucrativos que desenvolve ações nas áreas de educação, cultura e arte negra, com base nas culturas de matriz africana e afro-brasileira e no protagonismo das mulheres negras; e a Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista, evento anual de abrangência regional dedicado à valorização da cultura, do protagonismo e das pautas das mulheres negras.

A trajetória de Maria Aparecida Bento se destaca também pela contribuição acadêmica ao debate sobre racismo e branquitude. Autora da tese Pactos narcísicos no racismo: branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público, foi professora visitante na Universidade do Texas e, em 2015, foi reconhecida pela revista The Economist entre as 50 pessoas mais influentes do mundo na área da diversidade. É autora do livro O Pacto da Branquitude, publicado pela Companhia das Letras em 2022.

O Ilú Obá De Min também se destaca por construir suas ações a partir de uma perspectiva afrocentrada, valorizando as culturas africanas e afro-brasileiras e reconhecendo as mulheres negras, especialmente as mais velhas, como referências e protagonistas na transmissão de conhecimentos, na cultura e na organização coletiva.

Ao longo de suas cinco edições, o Prêmio Penha Guimarães consolidou-se como uma iniciativa do SASP de reconhecimento a pessoas, entidades e movimentos que contribuem para a luta antirracista e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A primeira edição ocorreu em novembro de 2019, no Al Janiah, e homenageou a UNEAFRO e os advogados Maria Sylvia de Oliveira e Sinvaldo José Firmo.

Em 2023, a segunda edição homenageou o juiz Edinaldo César Santos Júnior, a deputada e sambista Leci Brandão, a Central Única das Favelas (CUFA) e o Movimento Negro Unificado (MNU), representado pelos ativistas Regina Santos e Milton Barbosa.

A terceira edição, realizada em 2024, reconheceu a Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN), a Black Sisters in Law (BSL), Patrícia Anastácio (AASP) e o professor Cláudio Silva, ouvidor das Polícias de São Paulo. A ANAN foi representada pelos advogados Estevão Silva e Silmara Pereira, enquanto a BSL foi representada por sua fundadora e advogada Dione Assis.

Na quarta edição, foram homenageados Helena Pontes, cofundadora da Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista, militante do MNU, mestranda e especialista em Direito do Trabalho pela USP e em Estudos Afro-Latino-Americanos pela CLACSO; Sidnei Barreto Nogueira, babalorixá, escritor e doutor em Semiótica pela USP; além da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo (MMNSP) e da União de Negros e Negras pela Igualdade (UNEGRO).

Com o V Prêmio Penha Guimarães, o SASP reafirma o compromisso de dar visibilidade a trajetórias individuais e coletivas que contribuem para o enfrentamento ao racismo, para a valorização da cultura negra e para a defesa dos direitos humanos e da igualdade racial. A premiação também fortalece o diálogo entre a advocacia, os movimentos sociais, a academia e a sociedade civil na construção de estratégias permanentes de combate às desigualdades raciais.

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