SASP debate Crise política no Brasil

por | mar 1, 2016 | Jornal do Sindicato | 0 Comentários

O Sindicato dos Advogados promoveu no sábado, 27 de fevereiro, em seu auditório, na sede da entidade, na Rua Abolição, em São Paulo, um debate sobre a crise política e sua repercussão na vida dos Brasileiros. Participaram do evento os historiadores Valter Pomar e Valério Arcary, e o advogado Elizeu Soares Lopes.

Segundo o presidente do SASP, Aldimar Assis, os debates promovidos pelo sindicato visam levar aos associados e convidados um panorama da realidade brasileira e os caminhos possíveis para enfrentar desafios, como é o caso da atual crise política, em grande medida criada por setores conservadores, tentando romper a ordem institucional.

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Mesa de debates: Pomar (à esquerda), Arcary, Assis, e Elizeu Lopes


Abrindo o debate, o historiador Valério Aracary, professor do IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo) crê que a crise política e econômica, em grande medida “está sendo produzida pela burguesia, com suspensão de investimentos”, para levar o governo federal à lona. A elite não teria mais interesse em ver um partido de trabalhadores à frente do poder central. Para ela, existe “um grão de verdade” na avalanche de denúncias contra o PT e o governo Dilma, mas estas investigações seriam absolutamente seletivas visando derrotar o governo.

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Valério Arcary diz que há “um grão” de verdade nas denúncias

Mas Arcary é crítico em relação aos rumos que os governos Lula e Dilma tomaram nos últimos anos. Para ele, “o objetivo de um governo de esquerda não é defender os interesses do capital, mas dos trabalhadores; e o papel histórico dos trabalhadores é o de levar o país à revolução brasileira”.

Valter Pomar, historiador formado pela USP e doutor em história econômica, em seguida asseverou que “nesta crise pelo menos há três claros objetivos da burguesia: redução de direitos dos trabalhadores, redução das liberdades democráticas, com criminalização cada vez maior dos movimentos sociais – como por exemplo, o projeto de lei federal que tenta caracterizar manifestações de rua como terrorismo – e realinhamento com os interesses dos EUA, e o abandono do MERCOSUL.


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Valter Pomar crê que a crise foi “fabricada” pelos conservadores.

 

Pomar afirmou ainda: “Estamos enfrentando o Capital, o oligopólio da mídia, a direita partidária, a direita coxinha, que é a extrema direita, e o aparato oficial representado pelo Judiciário conservador, os aparelhos de segurança pública e a burocracia”.

Debate Crise SASP 27fev16 dElizeu Soares Lopes, advogado e Secretário Adjunto da Secretaria de Promoção e Igualdade Racial do Município de São Paulo, afirmou que “um dos grandes problemas da esquerda é o de subestimar ou superestimar as potencialidades deste governo (referindo-se à presidente Dilma); não podemos esquecer que há uma ofensiva do capitalismo no mundo todo, e isto também nos afeta, mas houve enormes conquistas sociais no Brasil, não só por causa do bolsa-família, mas também na renda dos trabalhadores, no aumento real do salário mínimo, do acesso dos negros mais pobres ao ensino superior”.

Provocado por Arcary de estar falando em defesa do PT mais até do que os próprios filiados daquele partido, Elizeu, que é filiado do PCdoB respondeu que “o que está em jogo aqui não é o problema de defender Dilma e Lula, o PT, mas reconhecer e defender as conquistas dos trabalhadores nos últimos anos; isto é luta de classes, de defender os interesses dos trabalhadores”, concluiu.

O debate teve a participação também da plateia, por meio de perguntas e considerações pessoais. Uma das queixas das mulheres presentes foi a da democratização maior dos espaços de debates do SASP, com participação de mulheres em todas as mesas de discussões, inclusive da comunidade GLBT. O presidente Aldimar Assis concordou com as críticas e disse que a solicitação será atendida nos próximos eventos.

Concluindo o debate, Assis disse que “uma das missões do SASP é a de promover o debate de ideias sobre o País, a crise, mas também somos de ação, como por exemplo quando fizemos a defesa dos estudantes que ocuparam as Escolas, e dos trabalhadores em suas lutas”.

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Elizeu lembrou das conquistas sociais nos governos Dilma e Lula.

 

*Assessoria Sasp

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