Hoje a cidade está parada
E ele apressa a caminhada
Pra acordar a
namorada logo ali
E vai sorrindo,
vai aflito
Pra mostrar,
cheio de si
Que hoje ele é senhor das suas mãos
E das ferramentas…     

O 1º de Maio é o Dia de Luta Internacional dos Trabalhadores. No distante ano de 1891, em Paris, os trabalhadores socialistas dos países industrializados da época, reunidos num congresso da Internacional, consagraram esta data como o dia da luta pelas 8 horas de trabalho.
Naquele tempo, os operários viviam numa grande miséria e tinham que trabalhar 12, 15 e até 18 horas por dia. Não havia descanso semanal nem férias. Não havia lei nenhuma para o mundo do trabalho. A filosofia liberal da época não admitia que se fizessem leis para os trabalhadores. Vigorava a lei do cão. A lei do patrão.

No início da exploração capitalista, aos trabalhadores – homens, mulheres e crianças – não eram permitidos direitos, apenas deveres. Deveres que custavam a saúde e a vida de muita gente. Era o reino da sociedade burguesa. Uma sociedade organizada de acordo com os interesses dos donos das fábricas, lojas, armazéns, bancos, transportes e tudo o mais.
Os locais de trabalho eram terra de ninguém. Não existiam leis. O Estado não podia fazer leis que regulamentassem as relações entre capital e trabalho.
Depois da exploração na fábrica, o trabalhador enfrentava mais um martírio, agora em casa. Cansado, sujo e sem roupas para trocar, via a família passar todo tipo de necessidade, inclusive fome. E era esse trabalhador atormentado, cansado e humilhado que voltava para a fábrica, no dia seguinte. Ainda mais cansado e ferido na sua condição humana.
Mas os trabalhadores reagiram. Desde o nascimento da indústria, por volta de 1800, muito rapidamente começaram as lutas pela redução da jornada de trabalho. Ocorreram manifestações e revoltas e as chamadas “marchas de fome”.

Quando a sirene não apita
Ela acorda mais bonita
Sua pele é sua chita, seu fustão
E, bem ou mal, é seu veludo
É o tafetá que Deus lhe deu
E é vendito o fruto do suor
Do trabalho que é só seu…

A redução da jornada de trabalho para oito horas diárias, podemos dizer, é a primeira reivindicação da classe operária. Uma luta que durou quase dois séculos. Durante todo o século XIX, houve muitas greves. Os patrões respondiam com mortes, prisões e perseguições dos lutadores operários.
Tudo o que os trabalhadores conquistaram foi fruto de luta, mobilização, organização, resistência. Foi com luta que se conquistou a jornada de oito horas diárias, a partir de 1910. Foi com luta que se conquistou férias, descanso aos domingos, seguridade social, indenização por acidente, aposentadoria. Enfim, tudo.

Hoje eles hão de consagrar
O dia inteiro pra se amar tanto
Ele, o artesão
Faz dentro dela a sua oficina
E ela, a tecelã
Vai fiar nas malhas do seu ventre
O homem de amanhã
(Primeiro de Maio – Chico Buarque de Holanda)

Hoje, no começo do século XXI, a classe trabalhadora do mundo todo, em sua grande maioria, está perdendo o que conquistou em 200 anos de lutas.
As políticas neoliberais vieram destruir todas as conquistas dos trabalhadores. É o velho liberalismo que voltou com novo nome. As políticas são as mesmas do início do trabalho nas fábricas.