A história desta luta nos remete a crise da economia mundial iniciada em 2008. A indústria automobilística foi duramente atingida pela queda nas vendas. A GM, maior montadora do mundo na época e símbolo do capitalismo norte-americano, se viu fortemente atingida pela recessão global.

 

Em 2009 após acumular uma dívida impagável, a empresa anunciou sua concordata, tendo 60% de suas ações compradas pelo governo americano de Obama. A partir daí a gigante americana iniciou um plano de re-estruturação mundial com o objetivo de retomar sua competitividade e seu espaço no mercado. De lá para cá, foram 18 complexos fechados só nos Estados Unidos e mais de 40 mil postos de trabalho perdidos apenas neste país.

 

Depois de sanear a empresa, Obama a devolveu para as mãos dos acionistas. Em 2010 a GM voltou a ser a maior montadora do mundo. Em 2011 fechou o ano com um lucro limpo de US$ 9,3 bilhões. Para alcançar este feito a empresa teve de demitir, flexibilizar, reduzir salários e intensificar o ritmo de produção. Para se ter uma idéia a GM produziu em 2010 o mesmo número de carros que em 2008, mas com 40 mil funcionários a menos. Não pode haver dúvidas de que os trabalhadores pagaram pela crise da empresa.

 

Agora a GM está estendendo seus planos de re-estruturação para todo o mundo. Para citar apenas um exemplo, em Bochum, Alemanha, está fechando mais uma planta. O ataque da gigante americana aos trabalhadores de São José só pode ser compreendido no marco da crise econômica e da re-estruturação mundial da empresa, bem como os impactos destes fatores sobre o cenário nacional.

 

No final de 2011 a GM retomou o processo de re-estruturação produtiva na planta de São José dos Campos com novo gás. Seu objetivo é o fechamento do setor MVA e o rebaixamento da grade salarial e redução dos direitos conquistados pelos trabalhadores desta planta. Um processo de demissão a conta gotas se iniciou ainda em 2011 em sua planta em São José dos Campos e São Caetano. A partir de maio\junho a estratégia da empresa era o fechamento do setor MVA na planta de São José, o que acarretará na demissão de 1840 trabalhadores.

 

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos iniciou uma dura campanha através de ações na base contra a política da empresa, denunciando seus planos de fechamento do MVA. Foi um embate duro aonde a patronal utilizou todas as armas ao seu alcance, inclusive um lockout. Foram impulsionadas inúmeras manifestações em São José dos Campos, Brasília e principalmente na fábrica, realizando assembléias, paralisações, passeatas e atos, tais como a ocupação da Rodovia Presidente Dutra. Neste embate uma importante vitória: o acordo que colocou 940 trabalhadores em lay-off e adiou as demissões até novembro. Após alguns meses, o prazo do acordo foi prorrogado até 26 de janeiro.

 

A estratégia da empresa segue sendo o fechamento do MVA e a redução da grade salarial e de direitos, como parte de seu plano de re-estruturação. Sua política é concretizar as demissões no dia 26 de janeiro, tão logo se encerre o acordo com o sindicato. Neste marco, a empresa irá buscar impor também um acordo de redução da grade e de direitos em contrapartida a vinda de novos investimentos que garantam a manutenção da planta de São José.

 

Isto não significa dizer que a empresa não possua margem de manobra. A depender da correlação de forças na fábrica e na sociedade, a GM pode adotar mediações em sua política, sem no entanto abandonar sua estratégia. Neste sentido a depender das mobilizações e da campanha que vamos realizar podemos conquistar uma prorrogação do lay-off ou mesmo evitar parcialmente as demissões por agora.

 

Outro fato é que a ameaça de demissões em massa não está restrita a GM. Há ameaças de demissões em outras montadoras, notadamente na Mercedes do ABC, cujas demissões devem atingir 1.500 trabalhadores em janeiro, para barrar as demissões é necessária uma campanha unitária.

 

Por isto fazemos um chamado a todos que se incorpore nesta luta.

 

As empresas que importam e\ou recebem isenção fiscal não podem demitir.